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Edição #003 · segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · leitura de 6 min

Fora do tech a IA ainda não aparece no balanço, o Grok solta a Odisseia e a USP mira o declínio cognitivo

a segunda-feira em que o balanço pediu a conta da IA.

Bom dia! ☕ Hoje a Apollo diz que, fora do tech, a IA ainda não aparece no resultado; o Grok Imagine estreia sete minutos da Odisseia; e a USP junta VR e IA para caçar declínio cognitivo cedo. Bora?

🔥 A história do dia

Fora do Big Tech, a IA ainda não aparece no balanço

No café da manhã da empresa tradicional, a conversa costuma ser outra: “já estamos usando ChatGPT”. A pergunta que o economista-chefe da Apollo faz é mais seca: e no balanço, onde isso aparece?

No Daily Spark de 24/10, Torsten Sløk olhou receita por trabalhador e margens de lucro. Nos Mag 7, sobem. No resto do S&P 500 — o que ele chama de S&P 493 — ficam planas. Também não há, nos gráficos dele, sinal de ganho de produtividade atribuível à IA. Com o resultado intacto, a América corporativa “mainstream” começa a tratar gasto com tokens como centro de custo, não como motor de crescimento. A tese de Sløk: o jogo se decide no S&P 493, não nas big techs — e até agora não há evidência de melhora fora do setor de tecnologia. (Apollo / Torsten Sløk)

Só tem um porém: isso não é um veredito de que “a IA fracassou”. É um recorte macro. Startups e labs continuam gastando em tokens; o que falta, segundo ele, é o efeito no lucro das empresas que não vivem de vender chips ou modelos.

🧩 Traduzindo:

  • Mag 7: as sete gigantes de tech que puxam o índice.
  • S&P 493: as outras ~493 empresas do S&P 500 — o “resto da economia”.
  • Token como centro de custo: a fatura da API entra na planilha como despesa, não como linha que aumenta receita.

E aí? Se você trabalha numa empresa brasileira “normal”, a pergunta útil da segunda não é “já usamos IA?”, e sim “onde isso muda receita, margem ou tempo de gente de verdade?”.

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🌎 Lá fora

O Grok Imagine soltou 7 minutos da Odisseia (e chamou de episódio)

Em julho, Elon Musk prometeu um longa “historicamente preciso” da Odisseia gerado por IA até o fim de 2026. No fim de semana, o que saiu foi outra coisa.

Em 23/10, o Grok Imagine publicou cerca de sete minutos do “Episódio 1” de uma série da Odisseia, em colaboração com a Wonder Studios e o diretor Dev Walker. Variety e TechCrunch repercutiram em 25/10. Não há, nas matérias, orçamento, versão do modelo nem cronograma do restante. (Variety, TechCrunch)

O detalhe é o formato: ainda é um clipe (editado, curto), não o longa prometido. Qualidade e “precisão histórica” ficam por conta de quem assistir — aqui o fato é o lançamento.

E aí? Vídeo longo por IA continua sendo promessa em capítulos. Sete minutos abrem a série; o filme completo ainda não chegou.

🇧🇷 Daqui de casa

1) USP junta VR, olhar e EEG para caçar declínio cognitivo cedo 🧠

No ICMC-USP (São Carlos), o pós-doutorado de Roberto Douglas Guimarães de Aquino (supervisor Alexandre Delbem, ciaGsaúde/FAPESP) desenvolve uma plataforma que combina realidade virtual, rastreamento ocular e EEG. A IA — com modelos interpretáveis — cruza os dados e gera um relatório para o neurologista. O alvo é o comprometimento cognitivo leve (CCL): a estimativa citada é de 15–20% dos maiores de 65 anos com CCL, e metade desse grupo pode evoluir para demência em até 5 anos. Depois das validações clínicas, software, algoritmos e datasets anonimizados devem ir a código aberto no GitHub. (Época Negócios / Agência FAPESP)

⚠️ Ferramenta em desenvolvimento para apoiar o médico — não substitui exame clínico nem dá diagnóstico automático.

2) Febraban lança IA gratuita de educação financeira 💸

Em 21/10, a Febraban lançou, com AWS e Flexa Cloud, o assistente Meu Bolso em Dia: orçamento, dívidas e educação financeira, sem indicar banco ou produto. Acesso pelo site e pelo WhatsApp. (Febraban, ia.meubolsoemdia.com.br)

⚠️ Anúncio original é de 21/10 (não é “lançamento de hoje”). A ferramenta não pede CPF nem senha bancária — e não deve.

🤯 Essa é boa

r/opensource proíbe projetos com IA — e parte da comunidade se revolta

Os moderadores do subreddit r/opensource publicaram regras novas: se o projeto “usa IA, foi feito com IA ou é para IA”, não é bem-vindo. Também pedem projeto com pelo menos 1 ano, vários contribuidores, e escreveram que quem “não fala inglês” precisa achar outra comunidade — alegando que não dá para distinguir tradução por IA. Surgiu o rival r/trueopensource. Críticos lembram que até o kernel Linux já tem trechos gerados com IA. (The Verge)

E aí? No mesmo fim de semana em que o Grok posta cinema sintético, o open source discute se IA cabe na definição de comunidade. Termômetro cultural, não lei.

⚡ Pílulas

  • É #FAKE foto de mulher rasgando bandeira de Nossa Senhora Aparecida. O g1 Fato ou Fake (25/10) diz que a cena foi criada com IA: SynthID da OpenAI e Sightengine (96%) apontaram geração; o g1 nunca publicou a imagem. (g1) Por que ligar: fact-check de imagem sintética em ano eleitoral — o selo #FAKE importa mais que o lado da briga.
  • Medalhista Fields em Berkeley para de corrigir lição por causa de IA. Richard Borcherds (UC Berkeley) passou a dar nota só por entrega; o campus diz que detectores de IA não são confiáveis o bastante para padronizar. (Daily Cal) Por que ligar: a lição de casa tradicional perdeu o sentido quando a resposta vem pronta.
  • Blue Planet III deixa “imperfeições” na tela para provar que não é IA. A BBC mantém plâncton, boias e água “ruim” que antes cortaria, segundo a produtora executiva Elizabeth White ao Guardian (via Verge). (The Verge) Por que ligar: quando o “perfeito demais” virou suspeito, o realismo passou a incluir sujeira.

🛠️ Testa aí

Meu Bolso em Dia (Febraban). Abra ia.meubolsoemdia.com.br, faça uma pergunta simples de orçamento (“como organizar dívidas do cartão sem pegar empréstimo?”) e confira se a resposta cita só educação financeira — sem banco, produto ou pedido de senha. Dois minutos. Ressalva: é ferramenta da federação, não consultoria personalizada.

💡 Prompt do dia

“Aja como analista de ROI de IA numa empresa tradicional (não-tech). Com base nestas 5 iniciativas que usamos [cole a lista], diga para cada uma: (1) métrica de receita ou margem que deveria mover, (2) custo aproximado de tokens/mês, (3) se hoje parece investimento ou centro de custo — e o que faltaria medir em 30 dias.”

Bom exercício depois da história da Apollo — e antes da próxima renovação de contrato de API.

🎧 Pra ver e ouvir

🎯 Acertou?

O que Torsten Sløk, da Apollo, conclui sobre o payoff da IA fora do setor de tecnologia?

  1. AQue a receita por trabalhador e as margens já sobem no S&P 493 graças à IA
  2. BQue Mag 7 sobe e o S&P 493 fica plano: ainda não há evidência de melhora fora do tech
  3. CQue empresas tradicionais devem triplicar o gasto com tokens neste trimestre
Ver a resposta

Resposta: B.No Daily Spark de 24/10, Sløk mostra receita por trabalhador e margens subindo no Mag 7 e planas no S&P 493, e diz que o jogo se decide no S&P 493 — até agora sem evidência de melhora fora do tech. Empresas passam a ver tokens como centro de custo.

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Rolou na IA é escrita com apoio de IA a partir das fontes citadas e passa por checagem: toda afirmação tem link para a fonte original. Política editorial · Correções.

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